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quinta-feira, 19 de maio de 2011

Quanto vale um documento?

É com imensa revolta que venho "apresentar" a todos um método de cobrança inusitado: o escambo. De acordo com uma reportagem do G1, o Arquivo Geral da cidade do Rio de Janeiro, ao invés de cobrar "din din", passou a exigir uma infinidade de utensílios, como panos de chão, relógio de parede, microondas e copos descartáveis, pelo acesso e pela reprodução de documentos históricos do seu acervo. Para os usuários, esse tipo de conduta é abusiva e ilegal. Para alguns funcionários, porém, é uma prática que garante o bom funcionamento da instituição.
O Arquivo Geral da Cidade do Rio de Janeiro guarda cerca de 3,5 milhões de documentos dos períodos colonial, imperial e republicano até os dias atuais. E, é claro que ele, assim como os demais arquivos públicos, podem cobrar pelo acesso e pela reprodução de suas obras, a fim de garantir uma remuneração para a conservação dos seus acervos. No entanto, é essencial que essas instituições obedeçam ao critério jurídico no que diz respeito a receber bens que sejam compatíveis com as atividades ali exercidas. Ou seja, é aceitável, por exemplo, a doação de CDs para a reprodução de imagens digitalizadas.
O que mais me impressionou, porém, foi o fato de que, na Secretaria da Cultura, ninguém viu infração no episódio. A revista Veja Rio foi atrás para saber o que os funcionários achavam desse “chá de panela” em uma repartição pública e adivinhem só? Segundo o subsecretário, Walter Santos Filho, todos os pedidos foram realizados dentro da lei e estão devidamente documentados. Perguntado se não seria um abuso pedir um eletrodoméstico em troca de uma reprodução de foto, o subsecretário respondeu: “Se o aparelho em questão for utilizado na cozinha de uso comum dos funcionários e tiver sido doado e registrado, não enxergo problema nisso”. Acho que ele só esqueceu de lembrar que a função de um arquivo não é exatamente zelar pela alimentação de sua equipe, mas, sim, manter o acervo em ótimas condições de organização para que qualquer cidadão interessado possa consultá-lo.

Reportagem G1,
aqui.
Reportagem Veja Rio,
aqui.
Imagem copiada do blog Chorik,
aqui.

Postada por: Adrielly Torres

terça-feira, 22 de março de 2011

Desabafo!

Copiado do blog "Um pouco de tudo"
Alguém aí poderia me ajudar a responder 'para que serve o Ministério da Cultura no Brasil?'. Eu me deparei com essa questão em uma nota de J. R. Guzzo (aqui), na Revista Veja do mês de março deste ano, e confesso: não sei responder. Seria para financiar, com dinheiro público, filmes, peças e outras obras que ninguém vê? Ou seria para cuidar de uma parte dos bens culturais do país, como museus, arquivos, bibliotecas, edifícios históricos e assim por diante? Uma certeza eu tive ao ler a reportagem: o Ministério da Cultura jamais tornará o Brasil um país mais culto. E esse deveria ser, justamente, o único motivo para justificar a sua existência e o dinheiro que se gasta com ele. Então, fica a dúvida: se o Ministério da Cultura não serve para nos dar mais cultura, serviria para quê?

Assim como o Ministério da Cultura, poderíamos nos perguntar 'para que serve o Ministério da Pesca?'. Ou ainda 'para que serve o Ministério do Esporte?'. O que fica claro é que muitos dos quase 40 ministérios são frutos da compulsão dos governantes. Ou seja, para responder a qualquer necessidade, desejo ou aspiração de melhoria, cria-se algum tipo de repartição pública e, sempre que for possível, algum ministério inteiro. Isto é, todos os aspectos da existência humana precisam do poder público para obter a salvação. Tudo isso pode ser comprovado quando lembramos que o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva recebeu 26 ministérios do governo FHC, mas entregou 37 à presidente Dilma, que pretende criar mais dois: o da Micro e Pequena Empresa e o da Infraestrutura Aeronáutica.

O que temos são diversos departamentos encarregados de cuidar disso ou daquilo e, obviamente, uma autoridade para mandar. Temos um fenômeno de gastança descontrolada, temos ações movidas por interesse político e não por interesse social. Mas, entretanto e todavia, não temos soluções concretas. Então, venho propor: vamos exigir o Ministério dos Arquivos, o Ministério da Vergonha na cara, o Ministério da paz e do amor. Enfim. Fica o meu desabafo: vamos tratar de preservar a nossa história, o nosso patrimônio cultural e a nossa memória, porque os departamentos encarregados de fazer isso estão mais preocupados com o anúncio do corte de R$ 50 bilhões no orçamento de 2011 e sobre como eles farão para manter as regalias...


Postado por: Adrielly Torres.

sexta-feira, 8 de outubro de 2010

Archiving social media


A arquivista Kate theimer apresentou ontem no site ArchivesNext reflexões importantes acerca dos mass medias (ACESSE AQUI). A discussão, ainda incipiente, parece começar a ser observada dentro dos debates atuais. Agora temos uma "nova" preocupação. Aliás, toda solução traz novas preocupações. Lembro-me de um excelente debate que tivemos na aula de Usuários da Informação, com o professor Murilo Bastos, onde foi apresentado o seguinte raciocínio: o processo de produção de dados eletrônicamente, a automatização dos escritórios, trouxe a preocupação com as informações que eram produzidas. Alguém perguntou: "E agora, o que fazer com todos esses dados?" Dai surge a gestão da informação (GI), para tentar tornar esses dados mais robustos e compreensíveis. Pois bem, a GI nos trouxe um outro grande problema: o que fazer com essa massa de informação que está sendo criada e subutilizada? Alguma mente brilhante levanta o dedo e diz, "já sei, vamos criar a gestão do conhecimento (GC)!". E agora, vamos colocar as pessoas pra se comunicar, criando redes de relacionamentos virtuais? Ok. Mas dessa vez não teve nenhum espertinho pra levantar a mão e perguntar: "mas quem vai preservar estas informações e se preocupar com a fragilidade desses materias, observando a autenticidade e fidedignidade dos mesmos?" O silêncio foi profundo. Alguém até chegou a cogitar a ideia de que "não precisa, a gente pode guardar tudo, é muito barato, custo zero". Papai noel  e o Coelhinho da páscoa até sorriram na hora. O problema agora grita em alto e bom som. Quem está preocupado com a preservação das informações dos meios de comunicação social? Que tipo de discussões teremos para começar esse trabalho? Quando essa discussão vai tomar lugar em nossas preocupações profissionais?

Cenas do próximo capítulo.


Postado por Rodrigo Fortes de Ávila

quinta-feira, 7 de outubro de 2010

Cirandinha cultural


A Revista Cult divulgou, no mês de setembro deste ano, os 150 espaços culturais mais importantes do país. É claro que todas as matérias que se aventuram pelos caminhos desse tipo de tentativa mirabolante de elencar os "Os 100 melhores filmes da história", os "300 discos do século XX", as "50 personalidades mais influentes da humanidade", já estão fadadas ao fracasso pelo próprio intuito da busca e pelo enorme universo de seu objetivo inicial. Toda vez que leio esse tipo de matéria me sinto como aquela pessoa que tenta no final de um trabalho árduo, um livro, uma tese, uma dissertação, ou até mesmo num discurso de aniversário, agradecer e elencar as pessoas queridas pela participação no feito. Ou seja, é fato que sempre alguém será esquecido da lista maldita.


No caso da lista em questão (ACESSE AQUI), o que mais nos chama a atenção não é o fato de que alguns centros culturais importantes estão fora da dita cuja, mas sim o fato de que nenhum arquivo sequer está na lista. Isso nos traz a seguinte questão: afinal, os arquivos são ou não são centros culturais? Nos comentários aqui do blog falou-se muito da questão de se observar os arquivos enquanto serviço de apoio às tomadas de decisões, transferindo a tônica de um caminho marcadamente histórico para a conduta das rotinas administrativas das organizações, dando ênfase aos arquivos de gestão, porque a literatura da área intensifica muito a visão da pesquisa. Contudo, ao que parece, os investimentos ainda não foram suficientes para o reconhecimento pelos "pares", já que nenhum arquivo municipal ou estadual  foi incluído numa lista de centros culturais. Isso nos remete à ideia de que os arquivos tentam se inserir dentro de uma discussão cultural, a cirandinha em questão, sem o reconhecimento das crianças que brincam do outro lado. E agora, eles nos chamam pra brincar ou a gente entra na roda?

Postado por Rodrigo Fortes