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segunda-feira, 27 de dezembro de 2010

O ano novo e os arquivos


O tempo passa e nossa forma de registrar isso se dá pela contagem dos dias e de seus conjuntos: anos, décadas, séculos, eras etc. Conforme vamos vivendo algumas coisas são registradas e uma pequena parte é guardada e desses registros uma parte é arquivada. O documento e os arquivos guardam uma relação íntima com o tempo que passa, mas não podem ser confundidos com o próprio tempo. Documentos podem ser arquivados, o tempo não. Aos documentos podemos atribuir, conforme sua vigência e uso, fases, ou idades. O tempo se divide em fases e épocas também, mas isso não tem relação alguma com o uso e a vigência, posto que, de um modo ou de outro, o tempo sempre nos influencia. 

Já imaginaram se pudéssemos simplesmente descartar este ou aquele dia ruim, ou perpetuar este ou aquele momento de júbilo? De algum modo tentamos  fazer isso com registros, mas nunca com o tempo. Assim, se nesse final de ano, algum engraçadinho, metido à arquivista, lhe disser algo do tipo "chegou a hora de arquivar 2010", desconfie do trocadilho e de quem o faz. Provavelmente se trata de uma pessoa com pouca formação em Arquivologia, capaz de confundir ordenação com classificação e capaz de criar fundos diferentes para uma mesma organização, conforme as diferentes gestões. Nós não arquivamos nossa infância, adolescência etc. apenas continuamos a vivê-las como pessoas mais amadurecidas.

A passagem de ano é um momento simbólico, no qual tentamos recomeçar várias coisas, mas que também, dada a inexorabilidade do tempo, amadurecemos e melhoramos outras. 

Não arquive 2010! 
Continue a vivê-lo, intensamente em 2011, 12, 13, 14, 15 .... etc.


sexta-feira, 3 de setembro de 2010

Personagem de famosa série de TV revela ser fã do Blog de Diplomática e Tipologia Documental

A recente discussão promovida por este blog acerca de como um curso de doutoramento pode comprometer o desempenho profissional de um arquivista (ver post aqui) trouxe de volta um famoso personagem da extinta TV TUPI: o Vigilante Rodoviário. 


Temendo o assédio dos fãs, o famoso personagem não se identificou e optou por permanecer no anonimato. Entretanto os indícios que apontam para ele são bastante fortes, como revelam dois comentários seus feitos no mencionado post:
  • "Condizer com as atuais atividades" e "funções/atribuições de Arquivista" são coisas completamente diferentes. A questão é se ele REALMENTE utiliza o conhecimento adquirido em prol do Arquivo Nacional, ou se a instituição serve apenas como fonte de renda e/ou trampolim para atividades que ele realiza fora dali. Quem está lá dentro, bem sabe, que nem tudo é como parece. Infelizmente. O contexto é tão importante quanto o fato. (Postado por Anônimo em 31/08/2010 22:01:00)
  • E complementando o comentário pouco acima sobre "historiadores amadores", ao que parece, a carreira que ainda não possui "estrada" é a Arquivologia, que pouco mostrou até hoje. (Postado por Anônimo em 31/08/2010 22:08:00)
A defesa do "patrulhamento" por quem é bem rodado pelas "estradas" acabaram por comprometer o anonimato de nosso ilustre internauta.  Longe de querer roubar a "cena" acho que os acurados comentários deste personagem merecem algumas observações:

  • Talvez eu esteja um pouco desatualizado quanto aos novos rumos da história, mas não sabia que a Odebrecht, grande construtora de estrada, tenha mudado de ramo e passado a financiar carreiras de engenheiros históricos nos arquivos. O fato de "nós", ou melhor, vocês historiadores rodoviários, terem, por mais de um século, considerado a Arquivologia como ciência auxiliar da história tenha contribuído para esse estado de coisas. Na minha época não era a Odebrecht que estava em voga, porém um alemão chamado Brecht que nos instigava a não se calar perante injustiças. 
  • Definir, como o Sr. advoga no coment das 22h01, o controle institucional da ciência já levou a humanidade para "caminhos rodoviários" sem saída. A Inquisição, o "Socialismo Científico" (como área do "conhecimento") e a queima de livros pelos nazistas são apenas exemplo da tentativa de instrumentalização da ciência para este ou aquele fim. Caso o Sr. tenha interesse sobre opiniões mais detalhadas minhas sobre esse assunto indico que acesse aqui outro post em meu blog de metodologia. Quem tem o poder de dizer o que é realmente útil para o Arquivo Nacional? Eu, há anos, tenho criticado a resolução 14 do CONARQ, mas tais críticas não parecem ser úteis para o AN, porque vão na direção contrária do que a instituição postula (sobre esse ponto, ver, por exemplo, post anterior aqui). Em 2008, no Congresso Brasileiro de Arquivologia, fui ofendido por uma servidora do AN que não admitia que eu discordasse de um verbete do dicionário de nossa maior instituição arquivística posto que ele fora escrito com base em parecer jurídico sobre a legalidade do "ser arquivísta". Não parece ser o caso de chamar a CBDA para instalar um trampolim, porém de tentar entender qual é o nível de debate, e as críticas dele resultantes, que a instituição está disposta a patrocinar em nome da ampliação da construção do conhecimento científico na área. Do contrário, o AN continuará a integrar a literatura acadêmica apenas por meio de suas normatizações técnicas ao invés de contribuir com discussões científicas reconhecidas por quem faz ciência no país e no mundo. 
  • Como professor de um conceituado curso de Arquivologia gostaria muito que meus alunos almejassem ser arquivistas do AN; como coordenador de um conceituado curso de pós-graduação em Ciência da Informação eu também gostaria que os arquivistas do AN pudessem se aperfeiçoar na pós-graduação, ajudando a tornar a área mais científica. Se isso não começar a ocorrer, a pós-graduação com temas da Arquivologia estará fadada a continuar a "pegar carona" nos programas de História ou de Ciência da Informação. Meu desejo é que a Arquivologia possa construir uma "estrada" ampla e segura a ponto de não precisar de "patrulhamento".
Sugestão de atividade: discutir a autoria e a autenticidade diplomática dos coments do Vigilante Rodoviário. Um bom subsídio pode ser encontrado no desafio sobrenatural proposto pelos alunos desta disciplina. Acesse aqui o post-desafio do Diploarte e veja como o debate aberto estimulado por este blog pode contribuir para a formação de novos arquivistas.

Esse tipo de inovação no aprendizado de Arquivologia recebeu indicação para o prêmio internacional FRIDA. Veja o post aqui e VOTE por este blog acessando este link.

quarta-feira, 23 de junho de 2010

Interrompemos nossa programação para postar NOTA DE ESCLARECIMENTO


Isso é o que eu odeio na cultura de Brasília: as pessoas sempre dão opinião pensando em agradar ao interlocutor ou em não ofendê-lo. Tem gente que chama isso de política. Na academia isso se chama "não-ciência". Se eu quisesse que as opiniões daqui fosse concordantes com as minhas eu não abriria o debate. Simplesmente "meteria conteúdo goela abaixo" dos estudantes e depois faria uma prova "objetiva" para premiar aquele que melhor reproduzisse as minhas idéias. Acho que assim procedem muitos colegas.

Fico muito chateado em ver que os alunos "desconfiam" de minhas "boas intenções" e raramente exprimem opiniões discordantes do que eu defendo. Ou, quando o fazem, ficam temerosos de serem reprovados por isso. A reprovação (ou não) é fruto do aproveitamento do aluno na disciplina e não tem nenhuma relação com o fato de concordar com minhas opiniões, ou buscar uma participação "politicamente mais correta".

Universidade é isso: debate e troca de idéias. A crítica e a discordância sempre vão ser coisas de difícil aceitação. A minha preocupação não é em ter fãs, alunos (ou macacos) treinados a reproduzirem minhas idéias. O que me move é a formação dos alunos; é tentar ajudá-los no processo de aprendizagem. E aprendizagem é um processo no qual o aluno é o principal agente ativo. Só aprende quem quer e quem busca superar os desafios. O que tento fazer é isso: propor desafios, muitos, para que vocês reflitam, indaguem, questionem e formem o vosso próprio conhecimento, não o meu, não o do professor "x" e nem o do Conarq, mas o de vocês, como agentes da própria formação pessoal. Vocês se lembram de qual foi o primeiro texto que passei em aula? Uma nota do Stephen Kanitz sobre aprendizagem (veja aqui).

A provocação, a brincadeira fazem parte de minha estratégia de ensino, assim como a discussão aberta e franca. Aqui em Brasília noto que as pessoas têm muita dificuldade para conviver com isso: alunos de graduação que se sentem desconfortáveis em dar uma opinião, muitas vezes nem têm uma opinião própria; alunos de pós que ficam "ofendidos" com sugestões (supostamente indevidas) de colegas; alunos de pós que ficam "travados" com críticas de outros professores e correm chorando para o colo do orientador (isso me obrigou a uma postagem específica, veja aqui); alunos de graduação que ficam "sacando" o professor para ver se descobrem onde está a "pegadinha"; alunos de graduação que ficam polemizando e "testando" o professor; etc. etc. etc.

Da terra de onde venho, São Paulo, a brincadeira faz parte de nosso cotidiano e, como disse uma vez o maior filósofo corinthiano de todos os tempos, Vicente Matheus: quem está na chuva é para se queimar. Se eu brinco com vocês sou OBRIGADO a aceitar o troco. Certa vez fiquei "alugando" um aluno que foi na aula com o uniforme completo da Mancha Verde. Adivinhem qual foi o trabalho final  dele: análise diplomática de um ingresso (obiviamente falso, posto que a informação não é verídica) de uma final entre palmeiras e o Glorioso Timão. Qual foi a nota do trabalho? Não lembro, mas não foi muito alta porque o trabalho tinha problemas e não porque me provocava. Ah, apesar disso ele foi aprovado. Não Matheus, não vou te aprovar, ou reprovar, porque você é, às vezes, implicante e chama o blog-mãe de blog-vó. A suas opiniões, pertinentes, ou não, adequadas, ou não, fazem parte do SEU processo de aprendizagem nessa disciplina. A equipe da disciplina provocou isso, abriu e estimulou esse espaço a ser utilizado. Às vezes sai faíscas? Sai sim. É normal. É sinal que os gurgumilhos estão trabalhando. Às vezes as tensões se elevam porque é normal que isso aconteça em equipes dinâmicas. Ah... se vocês tivessem (se é que já não têm pela rádio-fofoca) noção das faíscas que soem ocorrer na equipe do blog...  Não Tatiana, Felipe e outros querubins, não quis desmerecer o blog de vocês e nem "infantizar" vosso trabalho ou ser homofóbico (falando nisso colei um adesivo na porta de minha sala e algum idiota arrancou). 

A nota triste é que do Diploarte basicamente vejo Matheus e Fabiana participando e ele com temor de reprovação. O Felipe foi o único do Queer Beings que veio falar comigo. O Pedro Davi está sempre na área também, com alguma dose de polêmica. E os outros? Onde estão as opiniões dos outros alunos? Tá bom, reconheço, estou sendo injusto, tem mais gente que também participa com uma certa frequência (se você se enquadra nessa categoria, desculpe-me por não tê-lo citado nominalmente), mas, há uma maioria silenciosa que tenta se manter em um pseudo-anonimato bem comportado, "cumprindo tabela" apenas. Vai lá vez ou outra e faz um coment básico para marcar presença.

Só aprende quem se expõe, quem está aberto a correr riscos. Risco de crescer, de ver as certezas do atual mundinho serem questionadas e, pior ainda, questionadas em público, via web. É, a universidade e a ciência tem dessas coisas mesmo. Minha pequisa está lá no meu blog (acesse aqui), sujeita a todo o tipo de opinião e comentário, para o bem e para o mal. Geralmente aquelas críticas mais fortes, bem FsDP mesmo, são as melhores, aquela que fazem a gente refletir e mudar o que estava fazendo. Vocês já repararam que não faço filtragem e mediação para publicação de coments? Quem quiser vai lá e escreve o que bem entender. Se não está à vontade para se identificar (o que é complicado) faz o coment como anônimo e pronto. Só ensina quem se expõe também e se dispõe a correr os riscos lado a lado com os aprendizes. Vocês imaginam o quanto um post desses me expõe?

Por favor, acusem-me (devida ou indevidamente, não importa) de ser grosso (como já fizeram), louco, desorganizado, arrogante, exigente, rígido, sério, de não ser feliz nas brincadeiras etc. (deixo à vocês o arrolamento de outras características), mas não me acusem de perseguir alunos. Dou aulas na universidade pública desde 1994 e me dedico muito às minhas funções docentes para ter esse tipo de atitude. Não me rebaixaria a isso. 

VOLTAMOS AGORA PARA NOSSA PROGRAMAÇÃO NORMAL:

Clique na imagem para maiores detalhes

Postado por André Lopez

quarta-feira, 12 de maio de 2010

Preparado? Azul ou vermelha?

Fomos à rua (ops... online) e escutamos quem realmente tinha o direito de opinar com relação à formação do arquivista. Está encerrada a enquete relacionada à questão da preparação dos arquivistas para o mercado de trabalho. Com 65 votos no total, os resultados apresentam o seguinte quadro:


O CURSO TE PREPARA BEM PARA O MERCADO?

Não ............................... 13
Depende mais do esforço pessoal ... 36
Sim ............................... 16



Como pode ser observado, o fator pessoal é o elemento que mais pesa para se formar um bom profissional. As discussões acerca do papel da universidade na vida de um graduando já foram mencionadas aqui no blog. Em conversas informais com profissionais e estudantes da UnB, percebe-se que as questões apresentadas como deficitárias são discutidas em todos os cursos do Campus. A distância entre a graduação e o mercado de trabalho parece ser a tônica das discussões universitárias. É aquela velha pergunta: você quer tomar a pílula azul ou a vermelha? Com tantos elementos que devem ser englobados na formação acadêmica (pesquisa, ensino, extensão, aplicação profissional, estágios, cidadania, senso-crítico, autonomia...) a universidade continua no seu "estado esquizofrênico", tentando observar todos esses quesitos. E nós estamos aqui. Na luta de apontar outros rumos nesse mar do mercado de trabalho. E já que depende mais de você: que cor vai querer?

sexta-feira, 7 de maio de 2010

Você tem fome de quê?

Com todo o "estardalhaço" causado pela matéria da SECOM/UnB em cima da dissertação da Flávia Oliveira, um questionamento ficou batendo aqui na "caixola". Afinal de contas, pra que serve uma universidade? A coordenadora do curso de Arquivologia da UnB, Cynthia Roncaglio, frisou que os conteúdos da mesma não devem estar à mercê dos ditames do mercado. Será que o intuito é formar pesquisadores ou "concurseiros de plantão"? Ou pior, um cara que fica batendo carimbo dentro de uma repartição pública?

O trabalho dos blogs de diplomática versa pela imagem de um laboratório que funciona a céu aberto. De uma simples ideia surgem trabalhos excelentes. E que, inclusive, podem ser aprofundados futuramente num projeto de mestrado. É um laboratório onde a gente brinca, pega os ingredientes, mistura, põe nos tubos de ensaio, e daí pode surgir uma porção promissora. Somos como pequenos cientistas. E o que realmente importa aqui é aguçar a nossa curiosidade.

A finalidade de uma universidade pública deve ser orientada pelo incentivo aos mecanismos de ensino, pesquisa e extensão. Isso pode acontecer num país onde o contracheque de quem está na ponta do processo apresenta estes valores? Tá certo, você vai dizer "o diploma que é dado na solenidade de colação de grau vai ser utilizado como bem entender por quem o recebe". E ainda pode ter a mesma opinião desse tipo aqui. Ninguém faz ideia de quem vem lá.

A impressão que fica é a de que cada canudo com o diploma de graduação representa uma garrafa jogada ao mar, com uma mensagem dentro. E que ninguém sabe em que areia ela vai parar. Mas qual conteúdo o professor, a universidade e o aprendiz devem inserir nessa mensagem? A gente se sente dentro de um restaurante diversificado, onde o aprendiz pega o seu prato e escolhe o que vai comer. A moça do caixa me pergunta: "e ai arquivista, você tem fome de quê? Pegue o seu prato e sirva-se à vontade". Será que você sabe o que quer colocar no prato?

quinta-feira, 8 de abril de 2010

Tentando por pingos nos "is"


Recebi e-mail do grupo DiploArte (DA) que indicava um certo desconforto com os comentários que o grupo Fundo de Garagem (FG) fez na atividade "Blog da vez":
(...) pedimos (...) [cautela] com as postagens no nosso blog, [pois] estamos (inclui a sala) sendo vistos por muitos lugares (...) (por 17 cidades). Não sei se entenderam a dimensão do que é o blog ainda. 
Queremos evitar discussões online de coisas pequenas, (...) [que não ajudam ninguém] (...) [como]  a questão dos marcadores. Nós monitoramos o nosso blog em todos os seus quesitos, incluindo quantas vezes entraram em cada postagem. (...) Foi a melhor maneira de saber o que mais interessa aos leitores. Tem postagens nossas que já foram visitadas mais de 600 vezes mesmo sendo tão poucas. Enquanto as postagens forem poucas vamos continuar do jeito que (...) acharmos melhor.
Não queremos entrar em debates arquivísticos pela internet, pois a escrita é falha, e provoca muitos e muitos mal entendidos difíceis de reparar depois.
Já avaliaram o blog, agradecemos a sinceridade, de verdade, mas para dicas e outras coisas, quaisquer coisas, colocamos o nosso contato para isso, por favor façam por email.
Agradecemos a preferência e voltem logo.
Não sei se houve algum outro comentário mais jocoso ou mais ofensivo do FG ao DA do que o que acabei de ver no blog minutos atrás. Alguns coments aparecem deletados. Não achei nada de grave no que vi agora. Pelo contrário: fortalece a discussão e mostra (para as mais de 17 cidades que acesssam o blog) como é o processo de discussão acadêmica. Lembrem-se que esses blogs são, ANTES DE TUDO, instrumentos didáticos. As críticas construtivas, mesmo que postadas com acidez ou ironia devem ser publicamente assimiladas. Isso é a riqueza da universidade: o poder discordar. Se fosse para fazer uma coisa fechada não haveria necessidade de construirmos blogs públicos. 

É isso mesmo: construímos vitrines, que podem, potencialmente, serem apedrejadas. Faz parte do jogo. A discussão on-line e pública das coisas pequenas é o que mais ajuda no processo todo. Não sei se é um sinal dos tempos ou do ambiente "conspirativo" de Brasília, mas nunca vi uma rejeição tão grande aos processos de transparência como os que tenho presenciado na UnB, em todas as esferas.

Lembro-me quando Janice Gonçalves foi criticada na defesa de seu mestrado por ter colocado na dissertação os instrumentos que usou para coletar e analisar partituras musicais (a base empírica de sua pesquisa). O autor da crítica disse que esse tipo de instrumento a gente não fica mostrando para todo mundo, porque dá a impressão que o trabalho não é tão bom. Mesmo quem já teve o prazer de ouvir a Janice contra-argumentar, sempre com calma e simplicidade, iria ter se deliciado com a resposta dela, com argumentos brilhantes e lógica incontestável, que fez valer aquela opção metodológica.

Ah, mas ficar trocando opiniões sobre o que precisa ser melhorado vai "sujar" o produto final? Vai deixar aquele post perfeito, brilhante, imaculado cheio de marcas? Não vai ser aquele produto final limpo e clean? É verdade. FELIZMENTE, porque daí vai ser possível mostrar (para a classe, para as 17 cidades, para o mundo) que o processo de análise diplomática em blogs é árduo, cheio de idas e vindas etc. Lembrem-se que em Ciência, tão importante como o resultado final, é o caminho, o percurso metodológico.

Sim a escrita é falha. É mais falha ainda se não for praticada. Vez por outra acho inúmeros erros no que posto. Muitas vezes apontados por outrem. O que faço? Vou lá, corrijo, tento aprender para não repetir o erro. Outra coisa é a dinamicidade da escrita da Internet: dou 9 Tonhonhoins para a criação dessa unidade de avaliação de quesitos pelo FG.

Muitas vezes meus blogs são alvos de críticas (por sinal duas delas já foram rebatidas pelo Matheus: uma em 2009 e outra ontem). Já recebi sugestões para vetar comentários anônimos, para filtrar os comentários antes etc. Não! Liberdade de expressão não é só o direito de falar o que se quer, porém sujeitar-se a ouvir o que não quer e ter que lidar com isso. A melhor forma de fazê-lo é rebater com competência o que merece ser rebatido (não vou perder meu tempo com bobagens de anônimos sobre a greve) e melhorar o que tem que ser melhorado e, quem sabe, fazer uma segunda versão, agora "perfeita" daquele post que não estava tão maravilhoso assim, mostrando com honestidade e transparência o processo de elaboração.

Ciência é, ANTES DE TUDO, debate, que incluí até os miiiiiinimos detalhes...

domingo, 4 de abril de 2010

Prorrogado o prazo para a atividade d'O BLOG DA VEZ

A nova atividade da disciplina é "O BLOG DA VEZ". Clique aqui para ver post anterior. A idéia é que todos analisem, em esquema de rodízio, todos.

O novo prazo é 6ªf, às 19hs - Hora de Brasília.

Não durma no ponto...  senão o tempo passa e não dá mais tempo para correr atrás do prejuízo.


Tem grupo que está super participativo e outros nem tanto. Lembrem-se, da primeira aula, que o aprendizado é um processo individual, que depende do esforço de cada um para articular velhas informações (conhecimento já consolidado) com novas e produzir novos conhecimentos e saberes. Este blog busca apresentar a vocês novas informações para que o novo conhecimento seja explicitado nos blogs da cada grupo.

quarta-feira, 31 de março de 2010

A função dos blogs não se encerra na disciplina


Um dos blogs da disciplina já percebeu uma das inúmeras possibilidades desse instrumento. A ideia é que os blogs dos agora alunos se mantenham ativos independentemente dos requisitos formais da disciplina de Diplomática e Tipologia. 
Pela importância da questão reproduzo e respondo aqui a dúvida do Grupo A Hora de Comunicar:
Bom dia professor,
tudo bem com você?
Estou aqui dessa vez para colocar a minha posição em relação ao blog, no primeiro dia de aula com sua proposta de criação encarei apenas como parte da disciplina, porém agora que estou aprendendo a usar e visitando outros blogs, como por exemplo, "Ciência Brasil"," Aluna de arquivo", percebi que ele é uma excelente ferramenta no quesito comunicação.
Com isso fiquei com vontade de criar um blog para divulgar o curso da arquivologia, os pricipais conceitos, assim como a ciência da informação, pois tenho grande interesse em continuar a estudar a área, quando concluir o curso pretendo fazer o mestrado.
Vejo no blog uma maneira de revisar conceitos e ao mesmo tempo existe um desafio de pesquisar material interessante para alimentar o blog e isso faz com que o aprendizado seja maior.
Conversei com alguns integrantes que compõem o grupo do blog "hora de comunicar" e eles gostaram da ideia de ter um blog divulgando mais a arquivologia.
 Quero perguntar o seguinte: é possível levarmos essa proposta adiante de ter um blog para disseminação da área junto ao blog proposto para a disciplina? a ideia é que o "Hora de comunicar" tenha a parte voltada para a diplomática e tipologia documental sem esquecer do tema que é empresa jornalistica que é o principal do blog, mas ao mesmo tempo possuir esse teor informativo, pois a intençao é que mesmo depois do semestre o "Hora de comunicar" continue, queremos divulgar entre nossas famílias, amigos, pessoas que possuam algum tipo de interesse pela área, seja para a vida pessoal ou profissional.
Não quero de maneira nenhuma atrapalhar sua disciplina, pelo contrário, gosto tanto da área que acho super legal a ideia do blogs, gostaria apenas de potencilizar o blog hora de comunicar um pouco mais do que ele pode ser.
Então professor qual a sua posição: posso usar o blog da disciplina para essa finalidade ou é melhor fazer um outro?
 Abraços,
 Rafaela Marques.
Minha resposta:



SIM! 

Por favor faça-o no mesmo blog e, por favor, "atrapalhe" o quanto quiser a disciplina.
Espero que outros grupos sigam o exemplo de vocês. 

segunda-feira, 28 de setembro de 2009

Novas.

Hello, guys!
;)
Nessa última aula tivemos uma discussão sobre como melhorar o nosso aprendizado. Vocês pediram um feedback maior e vamos fazer o possível para deixar mais comentários nos blogs de vocês. Mas, se tiverem qualquer dúvida relacionada à matéria ou à elaboração e manutenção dos blogs, vocês podem e devem recorrer ao professor e aos monitores.


Outra coisa que foi combinada é que vocês vão visitar mais os blogs dos outros grupos e vão comentar as atividades dos colegas. Isso mesmo! Bisbilhotem e dêem pitacos (como diz o pseudomonitor). Isso vai ajudar o compartilhamento de idéias. Compartilhamento e não cópia e apropriação de conteúdo. Estamos tendo alguns problemas com plágio! Ctrl C e Ctrl V. Meninos, não façam isso! Os grupos que identificarem que tiveram as suas ideias roubadas, enviem um e-mail para o professor e pros monitores que verificaremos e tomaremos providencias.

;)
Saudações arquivísticas.

sexta-feira, 21 de agosto de 2009

THE BEGINNING...

Não! Não vamos falar de gripe suína! Até porque acho que todos já estão saturados de tanto ouvir sobre a Gripe A. Reparei que todas as aulas do semestre começaram com recomendações a respeito de medidas de prevenção, então, como vocês já escutaram sobre isso, vamos falar da disciplina. E aí!? Animados!? Sei que muitos já entram em sala cheios de preconceitos e expectativas. Não se assustem com a cara feia do professor (já passei mesmo... tenho mais liberdade pra falar... rs!) e dos monitores. Espero que aprendam, aproveitem e se surpreendam.
Sempre que houver duvida podem procurar o André - professor; Rodrigo - estagiário em docência, que saiu da condição de pseudomonitor, mas o passado o condena; Vanessa - monitora; e Larissa - monitora.
Então... Sejam benvindos (de acordo com a nova ortografia) e enjoy it! ;)