
Em pleno período pós-Segunda Grande Guerra, no ápice da ebulição da Guerra Fria, em 1954, dois agentes da Polícia Federal começam a investigação acerca do desaparecimento de uma das internas de um hospital psiquiátrico, situado na ilha Shutter. A partir daí se desenrola uma série de acontecimentos aparentemente conspiratórios e que atrapalham a saída dos investigadores da tal "Ilha do medo".
No primeiro momento temos a impressão de que estamos diante de um enredo extremamente pesado, até que Scorcese nos convida a entrar no surrealismo do filme por intermédio da mistura ácida entre a fantasia e a realidade dos sonhos do agente Teddy Daniels (Leonardo DiCaprio). Mergulhamos num imbróglio de sensações, com a nítida impressão de que o aclamado diretor nos coloca no cerne das alucinações do personagem principal da obra.
Sabemos que até o presente momento vocês devem estar se perguntando: "o que o filme ter a ver com a Diplomática?". Então vamos aos fatos.
Em certo ponto do filme são apresentados documentos que inserem o espectador na trilha da investigação. E o entendimento da função destes documentos no contexto do filme é crucial para o desfecho do caso. Somos convidados a interpretar a relação destes registros com os acontecimentos da história.
Justamente nesse ponto podemos debater alguns tópicos relacionados ao que foi visto dentro da disciplina. Os documentos apresentados pelo diretor no decorrer da história são os seguintes:
a) "Bilhetinho" encontrado embaixo do piso, no quarto de internação;
b) Um documento que revela algo sobre um novo integrante da "Ilha do medo";
c) As fotos de algumas crianças.
Podemos discutir os conceitos de autenticidade e veracidade destes registros à luz da análise diplomática e tipológica, ainda mais com esse excelente misto de realidade e fantasia. Além disso, é viável questionar se os documentos apresentados podem ser considerados como objeto de arquivo. Por isso, os seguintes questionamentos podem vir à tona:
a) Os documentos são considerados de arquivo? Por quê?
b) Quem são os produtores dos documentos?
c) Que elementos podem atestar a autenticidade e veracidade dos registros?
d) Qual a função (análise tipológica) destes documentos no contexto da história?
e) Que nome poderíamos dar para esses documentos, caso fôssemos organizar o arquivo do hospital psiquiátrico?
Vale lembrar que são apenas reflexões importantes feitas no momento em que estamos vendo o filme. Quem quiser postar algo PODE ficar a vontade. Esse texto os convida tanto à reflexão em termos diplomáticos quanto à curiosidade em assistir ao novo filme do tão aclamado Scorcese. Então, o que você está esperando? Confira o nosso colega Fred (http://www.fredburlenocinema.com) analisando o movie. Corra!