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sexta-feira, 11 de fevereiro de 2011

Wikileaks e a gestão do conhecimento


Continuando a discussão sobre a Wikileaks e o acesso às informações sigilosas, o site do Observatório da Imprensa publicou uma boa matéria para debate (ACESSE AQUI!). Nela, Manuel Castells, já citado aqui  no blog (AQUI!) enfatiza que não se trata mais de uma " simples" guerra entre os Estados e a Wikileaks. Muito menos uma preocupação com a proteção de dados dos governos; mas sim uma luta entre os Estados e o direito da sociedade civil de acesso à informação. A liberdade de comunicação promovida pela internet é o berço das grandes discussões, realizadas por aqueles que têm o desejo de controlar as informações que circulam na rede.

Antes de criar a Wikileaks, Assenge já declarava o seu caminho: 

"Quanto mais uma organização é injusta ou extremamente preocupada com seus segredos, mais o medo de vazamento de informações se aproxima da paranóia entre seus dirigentes e a camarilha dos tomadores de decisão. [A divulgação de documentos] levará inevitavelmente  a um empobrecimento dos mecanismos de comunicação interna, à maior retenção da informação e, consequentemente, a um declínio de conhecimentos em toda a organização".

Assim, aumentar o grau de proteção das informações e dissimular dados não seria, segundo os analistas de informação, a melhor estratégia para lidar com a tentação do segredo. Contudo, parece que é essa a via que as organizações estão comprometidas a seguir.

Diante de tudo isso, onde fica a tão aclamada gestão do conhecimento que as organizações tanto preconizam nos dias de hoje? Parece que gerir conhecimentos é tirar informações tácitas de seus trabalhadores, mas no momento de divulgar dados internos das instituições fala-se em segredo. Ademais, gerir conhecimentos é uma via de mão unica? Ou seja, dissemine o que você sabe, enquanto controlo o que eu sei. 

Leia abaixo mais uma boa matéria sobre o tema:



Rodrigo Fortes de Ávila

segunda-feira, 7 de fevereiro de 2011

Os arquivos sigilosos da Wikileaks


Sabe aqueles documentos que você sempre quis ter acesso, mas que não conseguia por serem de caráter sigiloso? Sabe aquele gosto sedento pela via pública de segredos privados? Pois bem, nem só de BBB vive a especulação. O site Wikileaks é tudo o que você sempre quis encontrar.

A organização transnacional sem fins lucrativos, com sede na Suécia, foi lançada em dezembro de 2006. Em seu site publica posts de fontes anônimas, contendo informações sensíveis vazadas de governos ou empresas. Ao longo de 2010, a Wikileaks publicou mais de 250 mil documentos oficiais do governo norte-americano, contendo inclusive o manual de tratamento de prisioneiros na prisão militar de Guantánamo, e informações "quentíssimas" sobre as guerras do Iraque e Afeganistão. 

O Brasil aparece entre os relatórios sigilosos publicados pela organização em vários assuntos, que vão desde a Copa do Mundo e Olimpíadas à exploração de Urânio pelas Farc's. (CONFIRA AQUI!) A organização já ganhou tanto destaque pelo mundo afora que já chega a ser uma forte candidata ao Prêmio Nobel da Paz, pela iniciativa de transparência dos direitos humanos e crimes de guerra.

Em meio a tantas polêmicas, a probabilidade de extradição à Suécia do então fundador da organização, cujo julgamento ocorrerá hoje e amanhã, ganha contornos de revanchismo político. O criador da iniciativa se defende pelos supostos crimes sexuais a duas mulheres numa visita a Estocolmo. Mas as especulações são de que os Estados Unidos estariam investigando o ativista por espionagem, tanto que até mesmo o Twitter foi chamado a dar detalhes dos colaboradores do site. (LEIA AQUI!)

A grande discussão que vem ocorrendo sobre a publicação de informações sigilosas por esta organização coloca os arquivos em evidência. Acredito que você agora deva estar se questionando: como eles conseguem obter essas informações? E ser formos mais adiante, será que realmente é uma boa iniciativa a transparência quanto a esses tipos de questões? O debate ganha uma intensidade ainda maior ao ser colocado diante de um contexto histórico que reivindica a abertura dos arquivos do período da ditadura militar brasileira. Imaginem o tanto de informações polêmicas que sairiam desses arsenais que estão trancafiados a sete chaves  por aqueles que estão agora no poder? E você arquivista, o que pensa sobre tudo isso?

Rodrigo Fortes de Ávila