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quinta-feira, 25 de novembro de 2010

Espelho, espelho meu ...


A era dos blogs e dos desafios na Arquivologia apenas começou. O blog Archives Online lançou, no dia 24 deste mês, um desafio aos bloguistas da área: postar uma imagem que reflita a atuação do arquivista e sua transformação histórica. A foto deve ser acompanhada de uma pequena sinopse. O prazo dado pelo Blog é até o dia 08 de dezembro.

Chegou a hora da nossa vingança. Cansado de ver aqueles filmes (como Tropa de Elite II) onde o personagem vai receber uma punição e é obrigado a exercer a função de arquivista? Então está na hora de se manifestar e perguntar: que imagem me representa?

Vale a pena pensar!

Postado por Rodrigo Ávila


quarta-feira, 5 de maio de 2010

Flávia Helena Oliveira disponibiliza dissertação

Flávia Oliveira, arquivista e mestre em Ciência em Informação pela UnB, disponibilizou para este blog sua dissertação de mestrado sobre a formação do arquivista na UnB, cuja divulgação equivocada de conteúdos pela SECOM abalou seriamente a imagem do curso de Arquivologia. A autora também aceitou a oferta do blog e deverá, tão logo finalize um artigo, publicar aqui um texto que discuta mais profundamente a situação.

Baixe aqui o trabalho da Flávia e tire suas próprias conclusões sobre a pertinência da críticas da SECOM. Não esqueça de usar o campo comentário para anotar suas opiniões. 

Sugestão de atividade: publique em seu blog uma resenha do trabalho da Flávia. A melhor delas será disponibilizada, na íntegra, nesse blog e encaminhada para o processo de avaliação e análise, com vistas a possível publicação pela Revista Ibero-americana de Ciência da Informação (acesse aqui a página da RICI). Apenas encaminharei o material. A decisão final e a análise cabe ao corpo editorial da RICI.

Ainda não recebi cobranças, mas antes disso me comprometo a dar os resultados pendentes dos desafios anteriores.

EM TEMPO:
O blog Ciência Brasil engrossou às criticas ao ocorrido com a imagem do curso de Arquivologia (acesse aqui post sobre isso)

terça-feira, 4 de maio de 2010

SECOM publica direito de resposta da Arquivologia

5 dias após a infeliz reportagem sobre a qualidade do curso de Arquivologia da UnB, feita para própria Secretaria de Comunicação da instituição, uma resposta da Arquivologia, foi, finalmente publicada (acesse aqui a resposta da coordenadora do curso, Profa. Dra. Cynthia Roncaglio). 

O triste é o veículo oficial da UnB sendo utilizado para denegrir a imagem de um dos melhores cursos do Brasil em sua área. A SECOM realmente publicou a nota da coordenação (erroneamente chamada de "direção") mas não fez nenhum esclarecimento sobre como procedeu em relação aos fatos na nota original, bem como não explicou o motivo de buscar uma opinião sobre o curso de Arquivologia com um professor de outro departamento (da Administração) totalmente alheio às especificidades da área? Basta ver o Lattes do professor citado no último parágrafo da nota original da SECOM. O primeiro a conseguir postar aqui o link do Lattes do referido professor ganha (com frete pago) um exemplar da obra Tipologia Documental de Partidos e Associações Políticas Brasileiras (esgotada) assinada pelo autor. Quem não achar o Lattes dele e quiser a obra mesmo assim é só baixar aqui.

Este blog, como um instrumento de apoio didático à formação dos arquivistas da UnB, não se eximiu do debate e foi o único blog que saiu em defesa da qualidade do curso da UnB, dando voz à pesquisadora Flávia Oliveira. Outros veículos de redes sociais, como o blog do Sinarquivo ou a lista de Arquivologia da UFBA limitaram-se à reproduzir a nota falaciosa, sem nenhum tipo de comentário crítico. 

O blog completará um ano no dia 25 próximo, e tem sido utilizado como uma importantíssima ferramenta de apoio didático à graduação, auxiliando no processo de intercâmbio didático e desmentindo a afirmação do reporter da SECOM de que o curso "passa ao largo" dos avanços tecnológicos. O projeto já foi apresentado em eventos científicos (inclusive no IV Workshop Internacional de Ciência da Informação) e provocou, por enquanto, a criação de 31 blogs de alunos sobre o tema. O blog como um instrumento didático entende que o debate acadêmico, independentemente das posições, é um elemento precioso para a formação de novos arquivistas, que sejam capazes de transcender ao atual corporativismo classista e não temer a livre troca de idéias. Por essa razão está aberto a todas as contribuições que fomentem uma discussão crítica de alto nível.

Mande sugestões de colaboração, participe, comente e divulgue em suas listas. Esse é um espaço aberto!

sexta-feira, 30 de abril de 2010

Cuidado! Não é um cachimbo.


Vocês achavam que iríamos passar ao largo dessa discussão, né? Lógico que não. Estamos antenados, apurando os fatos para apresentar um posicionamento mais seguro acerca da nota que a SECOM/UnB (Eis a fonte!) divulgou sobre a pesquisa defendida, no próprio CID, pela arquivista Flávia Oliveira. A pesquisa chama atenção para a desatualização do currículo profissional do curso de arquivologia diante das demandas do mercado de trabalho. O percurso metodológico da dissertação contrapõe as disciplinas obrigatórias do currículo com as habilidades requeridas pelos editais de concurso público.

Os principais motivos para o quadro de desatualização apresentado pela dissertação são os seguintes:

- O descompasso entre as tecnologias de informação e a habilidade dos profissionais de arquivo em manejá-las; Cabe aqui destacar que, pelo menos nesse quesito, esse blog vem sendo muito bem utilizado como ferramenta de aprendizagem pelos nossos alunos;

- Desatualização da grade curricular do curso, adotada em 1974.

Esses fatores acarretam na insatisfação dos empregadores para com os recém-egressos do curso de Arquivologia, principalmente pela falta de reflexão durante o período de universidade. Isso denota na incapacidade de elaboração de planos de classificação e tabelas de temporalidade documental por parte dos arquivistas que se aventuram no mercado. Ao que parece, o principal entrave é a dificuldade de aplicação prática dos princípios teóricos aprendidos durante a vida universitária.

Contudo, cabe questionar o verdadeiro papel de uma universidade pública, e até mesmo do profissional de arquivo. Pra que serve uma universidade? As nossas habilidades devem ser subjugadas aos editais de concurso público? Além disso, exercemos com plenitude estas funções após a investidura no cargo? Arquivistas para quê? A coordenadora do curso, Cynthia, ressalta que o ensino universitário não deve ficar à mercê dos ditames do mercado. A própria pesquisadora, Flávia Oliveira, afirma que o interesse particular dos alunos em "passar em concursos públicos acaba tomando o lugar da reflexão sobre a realidade do ofício".

Mas agora vamos aos fatos. O making off do filme revela outra cena. Segue resposta redigida pela própria pesquisadora, retificando os pontos da matéria que não condizem com os resultados apresentados pela pesquisa.

Caro (--------) ,

Gostaria de fazer algumas considerações sobre a matéria elaborada por você e publicada hoje sobre a minha dissertação e sobre o curso de Arquivologia. Acredito que algumas informações obtidas por meio da dissertação e de entrevistas foram mal interpretadas e outras estão realmente equivocadas.

Destaco 3 pontos que merecem uma retificação:


1º: Ponto: “Não bastasse isso, o currículo adotado pela UnB para a formação de arquivistas está defasado em 26 anos”


O currículo sofreu acréscimos de algumas disciplinas durante o funcionamento do curso. De acordo com o quadro 1, apresentado na página 20, foi acrescentada a disciplina: Introdução a Microinformática e foram modificadas as disciplinas: Contabilidade Geral foi substituída por Sistemas Contábeis Aplicados à Arquivologia, Análise Documentária foi substituída por Análise da Informação,


2º: Ponto: “A pesquisadora não apenas identificou as quatro atividades exigidas pelos empregadores que não são contempladas no curso da UnB, como constatou que elas estão entre as mais procuradas pelo mercado de trabalho. Para chegar a essa conclusão, Flávia criou um ranking das tarefas mais cobradas. Fez isso a partir de um comparativo entre as 33 disciplinas obrigatórias e optativas oferecidas no curso e as 38 habilidades relacionadas nos editais de concursos públicos, a principal fonte de contratação de arquivistas”


Na comparação entre a estrutura curricular e as habilidades demandadas sobre o curso, foram identificadas quatro atividades que não são abordadas. Quatro entre 38 é uma porcentagem pequena e o capítulo 3.2 conclui que: “Contudo, se das 38 atividades identificadas nos editais de concurso público somente essas quatro não fazem parte das ementas disciplinares e dos planos de ensino do curso de Arquivologia, infere-se, que o currículo do curso de Arquivologia aborda a maioria dos conteúdos relacionados como necessários para o desenvolvimento das atividades arquivísticas no mercado de trabalho.” (p.94) Desse modo, a interpretação que vc utilizou na matéria não está de acordo com as conclusões da pesquisa.

3º: Ponto: “a pesquisa de Flávia aponta que a porcentagem de desligamentos do curso está entre as maiores da UnB. Chegou a uma média de 22,02% entre 1998 e 2002”


Dissertação: Estatísticas de Desligamento – páginas 55 à 61.
A FA (Faculdade de Estudos Sociais Aplicados), que hoje é a FACE, apresentou os maiores índices de desligamento no período observado (p.58) No entanto, esses números são mais altos nos cursos de Administração e Contabilidade. Os cursos de Arquivologia e Biblioteconomia apresentaram números baixos. (p.60) O cursos de Arquivologia apresentou um dos MENORES ÍNDICES DE DESLIGAMENTO da Unb. O índice médio do curso de Arquivologia foi de 3.01%, enquanto o menor entre as outras faculdades foi de 1,07% e o maior 11,3%. (p.60)

Sendo assim, o último parágrafo sobre o “abandono” do curso deveria ser retirado do site com urgência.


Solicito, portanto, uma retificação na matéria que, da forma que foi apresentada, somente desqualifica o curso de Arquivologia e não contribui para a melhoria do ensino universitário. Os diversos pontos positivos apresentados na dissertação, tais como, o crescimento da procura pelo curso, a redução da porcentagem de abandono e o aumento da procura pelo profissional no mercado de trabalho, não foram considerados na matéria.


O que nos resta é dizer: Não é um cachimbo. Não precisa colar o nariz na tela. É só uma imagem. E daí? O que você acha? Está sendo bem preparado? Dê o seu pitaco aqui e responda a enquete ao lado.