quarta-feira, 11 de maio de 2011

Renato Russo e os arquivos

Copiado de Oifm (Renato Russo, João Barone, Bi Ribeiro, Herbert Vianna e Dado Villa-Lobos, em algum momento dos anos 80)


Vasculhando a blogosfera diplomática me chamou atenção o último post" do Lanchonete do Roberto, o blog destacou uma música da Legião Urbana que lembra um pouco os conceitos de Diplomática. A canção é Que país é esse, do CD homônimo lançado em 1987, o trecho é o seguinte:

"Na morte eu descanso
Mas o sangue anda solto
Manchando os papéis, documentos fiéis
Ao descanso do Patrão
Que país é esse?"

O discurso eminentemente político do Renato Russo (RR) traz uma boa sacada sobre o que representam os registros arquivísticos; os documentos trazem em si o DNA das ações que os geraram, o texto pode até mentir, mas o contexto, quando explícito, entrega tudo.

Acho que o RR gostava um pouco dessa visão meio soturna dos arquivos, lembrei de outra canção em que ele também explorou o tema, a genial Petróleo do Futuro, de 1985, faixa 3 do primeiro álbum da Legião. O Riff diz bem assim:

"Filsofos suicidas
Agricultores famintos
Desaparecendo Embaixo dos arquivos"

Não há dúvidas que o trecho representa uma raivosa provocação contra a já moribunda (e foi tarde) ditadura militar. Porém incomoda que o arquivo seja representado como um lugar desses. De certa forma, acho que é, também, responsabilidade dos arquivistas o fato de os direitos das famílias dessas pessoas estarem ali para desaparecer; apodrecer, soterrados e sufocados pela falta de transparência e de vontade que está nas entranhas do nosso Estado.

Ninguém quer criar heróis, apenas colocar as coisas em seus devidos lugares. Com os arquivos seria possível julgar os responsáveis pelos crimes bárbaros cometidos por ambas as partes. Esse é um movimento que ganha força na América Latina, no Uruguai recentemente foi aprovado um projeto que anulou a Lei de Anistia do país, lá o Estado de Exceção perdurou de 1973 a 1985, a teoria é que agora sejam revistos os atos contra a Humanidade que foram cometidos na época.

Arquivo da UnB (Invasão da UnB, em 1968)

Para quem defende o argumento de que "ah, o cara só estava cumprindo ordens" , digo que até pra isso há limites e recomendo a leitura de Eichmman em Jerusalém - Um relato sobre a banalidade do mal, da Hannah Arendt. Que permite, guardadas as devidas proporções, uma visão mais aguçada a sobre a questão da responsabilidade dos indivíduos quando inseridos em movimentos políticos tão extremados, como ditadura ou guerrilha.

Mas, retomando a idéia central do post, e pra não dizer que não falei das flores, lembro que o RR também já expressou uma faceta mais lírica dos documentos de arquivo, como quando, em 1992, ele participou do àlbum Homem de Rua do Erasmo Carlos, gravando junto com o Tremendão a música A Carta (olha a espécie documental aí) que dizia bem assim:

"Escrevo-te
Estas mal traçadas linhas
Meu amor!
Porque veio a saudade
Visitar meu coração
Espero que desculpes
Os meus erros por favor
Nas frases desta carta
Que é uma prova de afeição..."

Respondam, porque a carta é uma "prova de afeição"? É só o conteúdo do texto que traz essa prova ou todas as circunstâncias que envolvem a produção do objeto 'carta'? Caberia um desafio diplomático nessa, hein? Enquanto carta é prova de afeição, carteira de habilitação é prova de que você passou por todo o processo exigido para sair dirigindo por aí; quem já escutou o Álbum "Músicas para acampamento", também da Legião, conhece a hilária introdução da música Baader Meinhof Blues, onde o RR imita a voz do policial e dos adolescentes parados numa bliz:


"-- Sai do carro garoto, mão na cabeça
-- Pô, agente não fez nada!
-- Sai do carro garoto!
-- Pô, o que que é isso?
-- Documento #@!%, não quero saber,
que papo é esse[...]"

Correto pedir a habilitação, vai que o garoto fosse o Jonhy indo tirar racha na curva do diabo em sobradinho (da canção Dezesseis, manja?). Acho interessante também a música "Perdidos no Espaço", de 1985:


"Escrevi pra você e você não respondeu
Também não respondi quando você me escreveu
Anotei seu telefone num pedaço de papel
E calculei seu ascendente no recibo do aluguel
Esqueci seu sobrenome, mas me lembro de você"


Copiado de r7. (Renato Russo, Renato Rocha, Dado, e Marcelo Bonfá)

Essa é pura Ciência da Informação-Arquivística-e-Diplomática. Além de palavras como "escrevi", "respondeu", "anotei", "telefone" "calculei", "esqueci", "lembro", todas relacionadas ao processo de cognição e também a tecnologias envolvidas na comunicação , transferência, e registro da informação; temos a citação de uma espécie documental o "recibo de aluguel" e de um suporte, o "pedaço de papel".

Seria ótimo ter mais tempo para relembrar todas as músicas da Legião (ou de outras bandas) que remetem a temas da diplomática ou da arquivística; porém ,até conseguir a ajuda de vocês, encerro com uma clássica, e pra mim insuperável, do Sérgio Reis:

"Se você pensa
Que meu coração é de papel
Não vá pensando, pois não é
Ele é igualzinho ao seu
E sofre como eu
Por que fazer chorar assim
A quem lhe ama

Se você pensa
Em fazer chorar a quem lhe quer
A quem só pensa em você
Um dia sentirá
Que amar é bom demais
Não jogue amor ao léu
Meu coração que não é de papel"


Postado por: Leonardo N. Moreira.

segunda-feira, 9 de maio de 2011

Mais uma atividade


O que seria de nossos primeiros documentos se nossas mães não cuidassem deles?
Copiado de Flickr

Saudações pessoal,

Agora que vocês possuem os textos de Lopez e Ruiperez, após leitura, devem ter notado que existem algumas semelhanças e diferenças entre as análise feitas pelos 2 em relação a série, subsérie e espécie.
E é exatamente isso que queremos saber de vocês.

Atividade:
  • Após leitura da Tese de Lopez e do texto 1.2 de Ruiperez, comente, compare e/ou relacione o que há de semelhanças e diferenças entre as análises feitas sobre: Série, Sub-série e espécie documental.

Está atividade deve ser realizada até o dia 13/05, ás 18:59. Ela é individual, sendo assim, cada aluno deverá deixar sua resposta como comentário nesta postagem.

Postado por: Jonathan de Araujo

domingo, 8 de maio de 2011

Tarefa Obrigatória

Que venham novas cabeças cheias de boas idéias  para nossa Universidade

Olá pessoal,

Após uma importante aula no CEDOC, onde vocês puderam ter maior conhecimento sobre as atividades realizadas no local, a documentação produzida pela UnB e diferentes espécies documentais, vamos agora a alguns exercícios para maior aprofundamento no assunto.
Há alguns dias, trabalhamos na atividade Ciranda Cirandinha, o texto 1 de Mariano Garcia Ruiperez. Desta vez, o texto 1.2, juntamente com o cap 6 da Tese de Lopez (baixar aqui), irão auxiliar vocês na resolução das atividades da semana e que serão discutidos na próxima aula.

Como atividades obrigatórias para serem criadas em seus respectivos blogs e postados os links como comentário nesta postagem até as 18:59 do dia 13/05:
  • Escolher um documento da Atividade Fim de uma Universidade, ou um documento que seja da Atividade Meio exclusivamente de Universidades.
  • Realizar um esboço de análise diplomática e tipológica do documento escolhido nos moldes de Mariano Ruipérez (texto que servirá como base a atividade já encaminhados a todos os alunos).



Aos grupos que não entregaram a atividade do Jogo KIM na última aula ou por email, postarem em seus respectivos blogs e deixar o link da postagem aqui, juntamente com o exercício acima.




 
Postado por: Jonathan de Araujo

terça-feira, 3 de maio de 2011

Vida dura de estagiário

Copiado de Clipart Today
"Diz-me com quem andas e te direi que és". A velha máxima poderia ser recontextualizada da seguinte forma: "Diz-me como estudas e te direi que profissional serás". Em diferentes posts deste blog a questão da formação profissional vem sendo discutida. Uma preocupação constante tem sido com o mercado de trabalho e outra com o tipo/qualidade do curso. Em Brasília, cidade que uma vez me foi referida como "Concursolândia", o sucesso profissional acaba sendo, infelizmente, confundido com uma vaga em concurso público, para o qual o que mais importa é o estudo ad nauseum de conteúdos e mais conteúdos. O profissional "bem formado" por essa lógica obscura seria aquele capaz de ter um bom desempenho em um teste de concurso e não alguém capaz de executar proativamente as tarefas demandas por um arquivo. 

Muitos concurseiros passam anos colecionando conteúdos sem terem condições de colocá-los em prática em situações reais efetivas. O colecionismo de conteúdos passa não apenas pela decoreba de livros e apostílas de teor científico duvidoso, mas também por exaustivas sessões de lavagem cerebral nos inúmeros cursinhos preparatórios que aqui existem.  Nesse caso a inversão de valores atinge o ápice ao excluir a universidade da atividade formativa, delegando tal papel a cursos não credenciados pelo MEC. Neles, pelo menos, os textos, quando existem, são sempre em português e não há nenhuma incômoda cobrança quanto a um raciocínio crítico e analítico, pelo contrário. 

Dentro de tal lógica perversa os estágios acabam servindo como autênticos bicos, muitas vezes com atividades alheias à formação profissional, e acrescentam mais uma engrenagem  ao invertido sistema. O estudante finge que estuda (pois colecionará conteúdos depois de se formar, nos cursos preparatórios) enquanto finge que trabalha para melhorar sua formação (e consegue algum dinheiro para se sustentar). 

Nesse sistema, felizmente, alguns professores se negam a encenar a farsa e alguns cursos colocam travas para o reconhecimento do estágio. Os alunos que se negam a participar do engodo e aproveitam ao máximo a oportunidade que lhes é dada (recebendo muitas vezes bibliografia internacional) costumam ser excelentes profissionais. A maioria concursados (alguns aprovados antes de concluírem a graduação, sem terem necessitado de curso preparatório); alguns fazem pós (a pós de verdade, stricto sensu, não especializações duvidosas) e chegam até a publicar textos em livros espanhois, como o Rodrigo Fortes (baixe o e-book aqui, o capítulo começa na pág. 1086). 

Os dois divertidos vídeos adiante mostram uma caricatura de estagiário que, infelizmente, tem alguma correspondência na realidade e que permitem elocubrar qual seria a caricatura dessa personagem em relação aos estudos.






Publicado por André Lopez

sábado, 30 de abril de 2011

Dia do Trabalho, Justiça do Trabalho e Arquivos



Reprodução: "Operários" Tarcila do Amaral



Neste 1° de Maio, Dia Mundial do Trabalho, comemora-se também o aniversário de 70 anos da Justiça do Trabalho (JT) no Brasil. A premissa básica para existência desse ramo do Poder Judiciário é que entre empregador e empregado há um claro desnível de poder.


Hoje nos parece a coisa mais normal do mundo que, por exemplo, as mulheres tenham direito a licença maternidade, a jornada de trabalho seja de 8 horas, as férias sejam remuneradas, haja percepção de 13° salário. Porém, obter e consolidar direitos dessa natureza nunca foi algo fácil; muito pelo contrário, esses processos sociais têm como característica a complexidade, a morosidade e a violência.


A JT foi (e ainda é) um dos mais destacados palcos do confronto entre quem é dono dos meios de produção e quem só tem como posse a própria força de trabalho, os arquivos comprovam. Processos judiciais trabalhistas que atravessaram o tempo (graças à intervenção arquivística, é óbvio) nos permitem compreender como o Direito e as relações laborais se desenvolveram num período que vai de 1923 até hoje.


Alguém pode fazer a conta e se perguntar “Não é desde 1941? Se a comemoração é só de 70 anos como já haviam processos em 1923?”. Explico: em 1923, no âmbito do Poder Executivo, foi criado o Conselho Nacional do Trabalho (CNT), primeiro órgão estatal responsável, exclusivamente, por dirimir os conflitos advindos das relações de trabalho. Em 1° de Maio de 1941, no estádio do Vasco da Gama (São Januário), o então presidente Getúlio Vargas fez (por conta de reestruturações das competências do CNT) um inflamado discurso que é considerado e comemorado hoje como o marco da instalação da JT.


(Apesar de datar de 1° de Maio de 1951, este vídeo nos dá uma idéia de como eram os tradicionais discurso de Vargas, em São Januário, por ocasição das comemorações do Dia do Trabalho)


Porém, apenas com a Constituição de 1946 essa “Justiça do Trabalho”, que era ligada ao Executivo, passou efetivamente para o âmbito do Poder Judiciário. O CNT foi extinto e para sucedê-lo e dar continuidade às suas atividades foi criado o Tribunal Superior do Trabalho (TST).


Temos então dois Fundos, um do CNT (1923-1946), fechado; e outro do TST (1946-atualidade). Dois microcosmos que possibilitam a compreensão dos costumes jurídicos administrativos e sociais de boa parte do século XX. Numa série tipológica qualquer do Fundo CNT é possível notar, à margem dos julgamentos, um conjunto de contextos e falas que denotam a ingenuidade e belicismo do período entre guerras, a caça aos comunistas, a ascensão das estradas de ferro e dos portos, o processo de urbanização e por fim o terror da 2° GM.


Contar a história do trabalho é também contar a história da riqueza e, de certa forma, da miséria humana. Como a ufana sociedade do conhecimento, da tecnologia, da rasgação de seda democrática ainda convive com situações como trabalho escravo, trabalho infantil? Compreender as raízes desses problemas depende, sem dúvida, dos métodos e técnicas dos pesquisadores, historiadores, sociólogos etc. Porém dar sentido aos registros que mostram o desenrolar desses fatos só é possível através da aplicação dos métodos da arquivologia.


(Processo do CNT de 1940 sendo preparado para a restauração)

Por isso, os arquivos permanentes precisam de um projeto de trabalho bem estruturado, as atividades devem ser planejadas no contexto de 4 funções arquivísticas, em ordem de importância: Classificação (arranjo), Descrição, Preservação e Difusão. Como relato de experiência apresento um produto relacionado a uma das atividades de Difusão desenvolvidas pela Coordenadoria de Gestão Documental do TST, que hoje tem a custódia do Fundo CNT.


(Informativo criado para divulgar arquivos permanentes - baixe em PDF e tamanho original AQUI)


Os pré-requisitos para o trabalho, é claro, foram: estrutura de classificação criada a partir do estudo dos estatutos e das funções administrativas e judicantes do CNT, descrição no padrão NOBRADE e programa de restauração e digitalização de processos com integridade em risco.


O Informativo intitulado "Labor!", faz parte do programa Memória Viva do TST e é publicado quinzenalmente, pelo setor de Arquivo da instituição.


O texto foi elaborado com base na análise de um processo judicial de 1933 e teve como objetivo mostrar a evolução de um instituto de direito do trabalho, a estabilidade no emprego, a partir da história de um ferroviário, o Sr. Reynaldo Amorim que se sentiu injustiçado por sua demissão. A colagem de imagens digitalizadas do processo ao corpo do informativo visou trazer ao leitor a idéia de proximidade com o documento, sua forma de escrita, textura, cor; ou seja, tem-se a análise feita pelo historiador aliada a imagens do processo.


Não é algo fantástico, apenas uma forma mais palatável para se apresentar as características e potenciais linhas de pesquisa do Fundo. E também para se buscar novas clientelas, como alunos do curso de arquivologia, por exemplo. Atualmente o Fundo CNT é objeto de interesse de estudiosos do Direito e também da História Social do Trabalho. Várias pesquisas acadêmicas estão sendo desenvolvidas a partir dos desses arquivos, uma já finalizada é a Tese “Coagidos ou subornados: trabalhadores, sindicatos, Estado e as leis do trabalho nos anos 1930” de Samuel Fernando de Souza da UNICAMP.


Dentro da JT esses arquivos servem à elaboração de discursos de autoridades por ocasião de solenidades (a de 70 anos por exemplo), à pesquisa jurisprudêncial, à pesquisa estatística, à pesquisa de decisões em acórdãos antigos (direito comparado).


Pensando-se nas estratégias de atuação dos setores de arquivo, a importância de trabalhos dessa natureza deveria ser melhor avaliada. Alguns dos benefícios estão relacionados a questões afetas ao discurso da 'Memória Institucional', do 'resgate da memória', outros nem tanto. Sei que tem muita abobrinha nessa literatura que fala de Memória Institucional, mas na de gestão do conhecimento e da informação também tem e nem por isso ela está descartada. Talvez só precisem de ajustes, mais pesquisas, novos entendimentos. Não acho que seja um "caminho do mal", de certa forma até vejo (guardadas suas devidas proporções, não me compreendam mal) Memória Institucional quase que como um neologismo para as atividades de Arquivo Permanente. E digo mais, seja qual for o nome:


1 - Atualmente é objeto de grandes expectativas institucionais;


2 - Dá uma enorme projeção para o nosso trabalho;


3 – Se o arquivista não quiser o pessoal da Biblioteca, da Comunicação Social, dos Cerimoniais, com certeza vai querer. Acreditem, eles estão dispostos a levar os documentos arquivísticos para seus setores e realizar o trabalho.


4 – Fugindo de cafonices e patriotadas (no caso de quem trabalha em órgãos públicos) pode ser algo muito bom para a instituição e ótimo para a sociedade.


5 – Sem dúvida tem a ver com nossas bases teóricas e metodológicas e, por fim, é um trabalho muito legal e prazeroso de fazer.


Vamos lá! Revisitem, revisem Bellotto e mãos à obra!


Postado por: Leonardo N. Moreira

segunda-feira, 25 de abril de 2011

As cartas na mesa




Capas de CD's, DVD's, canetas, anéis, preservativos, e muitos outros objetos que, à primeira vista, nos parecem esquisitos; tudo isso em cima de uma mesa, num auditório, com pessoas ao redor, curiosas em descobrir o que eles significam, pra que foram produzidos e qual o sentido de estarem ali. 

Há tempos, quando tive a oportunidade de fazer a disciplina de Diplomática, foi reforçada a imagem de uma disciplina antiga, obsoleta, sem utilidade alguma para os tempos atuais. No futuro percebi o grande equivoco a que fui submetido. E agora você deve estar se perguntando, qual a utilidade desses objetos numa sala de aula? Também me perguntei quando presenciei o fato. Ai começa a sua participação e a construção do conhecimento de maneira individual e ao mesmo tempo coletiva. As pessoas ficavam ali tentando reconhecer as coisas, e, sem perceber, estavam construindo uma análise, uma dissecação dos elementos do documento, que não estavam apresentados a priori, mas que foram desenvolvidos pela conduta do raciocínio. Na minha época de graduação, essa aula já bastava para compreender a importância da Diplomática; sem ter nenhuma resposta em mente, mas várias perguntas no trajeto do ônibus até a minha casa.

Acostumados com os livros do ensino médio, entramos na universidade esperando um conceito, um quadrado com letras chamativas, destacado no livro, e o professor dizendo "a Diplomática é a disciplina que estuda...". Nesse quadro, o conceito é a linha de partida pra quem se contenta em saber o que lhe ensinam. Por outro lado, a definição é a linha de chegada para aquele que constrói o próprio caminho com os elementos disponíveis, integrando-os a outros por intermédio da reflexão. Esses pontos foram destacados nos trabalhos com os blogs. ACESSE AQUI.

Quando Paulo Freire nos apresentou os pensamentos inovadores para a educação, pensando numa Pedagogia da autonomia, tínhamos ali a esperança de um ambiente educacional que versasse pela independência do sujeito que constrói o pensamento, e não mais uma mera replicação de um sistema hierárquico, baseado na figura de uma pirâmide, no argumento de autoridade de um professor que transfere luz aos "a"lunos. Das fileiras de cadeiras postas diante de nós pelos monges da Idade Média, passamos a pensar em círculos, em transmitir o que se pensa e reconstruir o que se tem com o auxílio das outras "autonomias".

Um dentre tantos exemplos, Glauber Rocha, quando criança, pediu a sua mãe que lhe ensinasse a ler e escrever, e acrescentou: "Mãe, o resto eu faço sozinho". Construiu a sua independência, ditou os seus rumos e criou a sua estrada. Pensou com autonomia um Brasil que refletisse os problemas de seu povo, deixando de lado tentativas e fórmulas miraculosas de se reconstruir uma realidade tão distinta. O pensar crítico e a autonomia necessitam de coragem, constroem novas maneiras de se repensar os problemas, demonstrando espaços até então inexplorados.

Pra que serve um arquivista numa sociedade que preza cada vez mais pelo imediatismo? Pra que serve uma universidade pública? Como podemos repensar as estruturas universitárias? Estas e tantas outras questões já foram discutidas aqui neste espaço, demonstrando uma roda de conversa virtual. Se estas e tantas outras questões não forem revistas, continuaremos em nosso estado de esquizofrenia diante de tudo que nos cerca; fingindo uma importância que só cabe a si mesma, e que só se contenta em resolver os seus próprios problemas.

Sinceramente, espero que os objetos possam continuar em cima da mesa, que o professor não me diga, num primeiro momento, o que eles representam. Assim, levantemos a oportunidade de desconstruí-los, repensá-los e de torná-los úteis de outras maneiras. Que possamos errar várias vezes e de diversas maneiras, porque não há teoria do conhecimento sem a possibilidade de erro.



Postado, voluntariamente, por:
Rodrigo Fortes de Ávila.

sábado, 23 de abril de 2011

História sem fim...

Foto de Kim Gibson

Em abril deste ano, uma rápida chuva deixou estragos que ainda marcam nossa querida UnB. Em pouco menos de uma hora choveu cerca de 30% do esperado para todo o mês. Isso foi mais que suficiente para alagar e abalar a estrutura do subsolo no ICC, destruíndo diversas salas de aula, centros acadêmicos, laboratórios, secretarias e a UnB TV, sem falar nos anfiteatros que foram completamente inundados de forma assutadora.

Diante desta situação, onde no momento não nos cabe apontar os culpados; pois a questão da estrutura e falta de investimento para a Universidade é uma discussão de vários anos, o Reitor José Geraldo de Sousa suspendeu as aulas nos dias 11 e 12 de abril.

A suspensão das aulas foi divulgada pela imprensa de diversas formas, ainda sim alguns professores chegaram a enviar emails convocando os alunos para atividades normais, alegando que alguns departamentos não sofreram danos. Porém, ao mais tardar, o Reitor em nota oficial disse que as aulas estariam suspensas em todos os Campus da Universidade.

Este triste episódio de nossa Universidade será o pontapé inicial de nossa "História sem fim".


Como fazer?
[−]

A atividade consiste na criação de uma história que será desenvolvida sequencialmente por cada blog da seguinte maneira:

* O grupo que estiver escrevendo a história será considerado o blog da vez.
* O primeiro grupo (blog da vez) deverá encontrar um documento, com maior grau de autenticidade possível, que conste a determinação de suspensão das aulas durante os 2 dias após o alagamento.
* O blog da vez fará a análise diplomática e tipológica do documento encontrado.
* Realizada a análise, o blog da vez terá de iniciar uma história envolvendo o documento analisado.
* Analisado o documento e iniciada a história, caberá ao blog da vez indicar um documento a ser analisado pelo próximo blog (blog subsequente), capaz de dar continuidade à narrativa.
* Da mesma forma, o blog subsequente deverá realizar a análise diplomática e tipológica; continuar a história iniciada pelo blog anterior e indicar um novo documento ao blog posterior.
* A mesma atividade será desenvolvida sequencialmente por todos os blogs.

Requisitos para a atividade:

* Fazer a análise tipológica e diplomática;
* Usar a criatividade para contextualizar o documento à história criada;
* Cumprir os prazos estabelecidos a cada blog, para que o blog subsequente não se prejudique.

O que tem que ter na postagem?

A indicação de um documento para ser analisado pelo próximo blog que seja relacionado com a história contada e o nome do blog seguinte.



Blog da vez
[−]

Deverá seguir, necessariamente esta ordem:

- O Arquivo Veste Prada (prazo até às 18h59min do dia 29/04 - sexta-feira)
- Paladarq (prazo até às 18h59min do dia 06/05 - sexta-feira)
- Licitações e Contratos (prazo até às 18h59min do dia 13/05 - sexta-feira)
- Arquivo em Forma (prazo até às 18h59min do dia 20/05 - sexta-feira)
- Skin Files (prazo até às 18h59min do dia 27/05 - sexta-feira)
- Cerveja Diplomática (prazo até às 18h59min do dia 03/06 - sexta-feira)
- Arquivos da Night (prazo até às 18h59min do dia 10/06 - sexta-feira)
- Passaporte para Informação (prazo até às 18h59min do dia 17/06 - sexta-feira)
- Diplomática na Copa (prazo até às 18h59min do dia 24/06 - sexta-feira)




Observação: Esta é uma atividade obrigatória para todos os grupos.

Postado por: Fabrício Carpaneda e Jonathan de Araujo.